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  • Eduardo Prota

Criando Alex Corso

Atualizado: 18 de Mar de 2018



Como equilibrar as falhas e as habilidades de personagens principais?


Esse é o Alex. Personagem principal e quem dá nome à história. Mas não é o primeiro Alex que concebi, e também não foi o último.


O primeiro conceito de Alex Corso nasceu em 2013, depois que eu já havia terminado um romance de fantasia tão grande que teve que ser dividido em dois. Depois disso, me foquei em contos - uma forma mais rápido de viajar através de mundos e personagens diversos. Narravam desde uma sociedade que evoluiu além dos corpos até um produtor de cinema inescrupuloso que distorcia histórias promissoras para as tornar mais vendáveis. Foi um laboratório fascinante: para quê me prender a um mundo só quando existem tantos por aí?


E, logo, veio uma epifania que ficou comigo: histórias são feitas de personagens bons, não de cenários. Então, quis criar uma história com personagens tão cativantes que não importaria de onde viessem ou por onde transitassem.


Esse aí foi o primeiro desenho que fiz da história e dos personagens - desculpem a bagunça, foi um desenho feito durante uma aula muito maçante na faculdade.


Lembro da premissa inicial: uma história homenageando Harry Potter e a leva de aventuras young adult que surgiam no começo dos anos 2000. Tinha o protagonista com problema com os pais, os dois amigos do protagonistas, um mundo elaborado com as próprias regras, humor, romance, tudo.


O desenho já mostra, no entanto, o problema com a premissa inicial: nem mesmo lembro da maioria dos personagens nesse desenho. Eu criava tantos personagens que não sabia como criar um plot coeso a partir deles.


Focar nos personagens principais era essencial.


Alex era, antes de tudo, um diplomata. Era filho de pai afro-ítalo-americano e mãe chinesa (que salada!) Ele tinha roupas militares elegantes do século retrasado, indicando um alto posto e impondo já um certo respeito. Sua função? Manter o equilíbrio entre os mundos.


E eram os mundos mais loucos possíveis. Essa aí atrás de Alex é ninguém menos que Lucy - diminutivo de Lúcifer. É, a ideia do diabo ser uma mulher apaixonada pelo protagonista surgiu pronta na minha cabeça. Alex nunca saberia se Lucy era interessada de fato ou se estava tentando-o por seus próprios interesses. Logo me ocorreu que o diabo e um mundo-inferno seria uma extrapolação bem grande para iniciar a história.


Ao lado esquerdo dele, Choggs e Theodora (a primeira versão de Valéria) olhando uma para o outro com uma cara de "assuntos mal-resolvidos". Choggs tinha vestes de monge que passavam uma ideia totalmente errada de seu caráter ateísta e cético (ainda não desenvolvido na época). Já Theodora tinha um problema sério: era sempre carrancuda e sempre brigava com Choggs. Eu não tinha trabalhado nada da personalidade dela além disso, e ficava incomodado com isso.


A história não foi para a frente. Porém, mantive ela rodando em minha mente. Ideia a ideia, mudanças iam surgindo.


Em 2015, tive a ideia de um podcast que contasse a história de Alex Corso a partir de outro personagem - o Choggs, já bem definido em minha mente. Começaria num Monastério isolado no Tibet, e ele, já um estudante nesse monastério, receberia Alex e Valéria, se apaixonando pela garota e sem saber ao certo o que pensar do rapaz. Logo, teriam uma rivalidade que acentuaria as diferenças, e logo depois se tornariam amigos.


Sem foco em outros personagens: apenas Alex, Choggs e Valéria. Tal qual Luke, Han e Leia, ou Harry, Rony e Hermione. Neo, Morpheus e Trinity. Superman, Batman e Mulher-Maravilha. Kirk, Spock e Magro. Não faltam exemplos de trinidades funcionais nesse modelo. Dois opostos e um mediador.


Valéria se tornou um tipo de psicóloga paranormal, enquanto Choggs era o cético cientista. Caberia a Alex ser o mediador, e pensei nele como um cara aberto a influências e aprendizado: ele não era o mais inteligente, nem o mais forte, muito menos algum tipo de Escolhido. Mas era o mais esforçado, sempre.


Vinha a pergunta: por quê? Ele simplesmente era assim e pronto?


Embora a história estivesse bem estruturada, ainda faltava algo. Alex tinha pais vivos (mantendo a ideia inicial do pai americano e a mãe chinesa), família rica e prestigiada, amigos e tudo a seu favor. O que ele tinha para desafiá-lo?


Mostrar as aventuras de um garoto super motivado (que apenas por acaso era negro) não me parecia ser tão atraente.


Entra o fator que mais acrescentou para a história: Alex teria perdido a mãe quando criança, desencadeando nele uma crise de depressão que o abatia completamente; mesmo que ele tivesse todos os privilégios do mundo, ainda tinha o maior dos desafios para enfrentar: aquele que nunca iria embora completamente. Algo que ele precisasse lidar em si mesmo. Não foi Napoleão que disse que, embora tivesse derrotado ingleses, prussianos e austríacos, o maior inimigo que enfrentava era ele próprio?




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 © 2016 por Eduardo Prota

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