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  • Eduardo Prota

O Extremismo - Escrevendo "A Eterna Redoma Atlante"

Com esse conto, quis abordar um assunto cada vez mais recorrente no nosso mundo. Um tópico nada novo, mas que parece só ganhar forças - o extremismo.

Foi uma experiência estranha ver adolescentes europeus se unindo ao auto-entitulado Estado Islâmico. Afinal, a Europa é sinônimo de modernidade, diversidade, sucesso econômico e social, bem como uma das principais propagadoras do Cristianismo através dos séculos. Como é possível que jovens deem as costas à sua própria herança e sociedades, abraçando não o Islã (que não está representado no ISIS), mas uma corrente criminosa e injustificável dele como esses terroristas que ganharam espaço com o vácuo de poder local? Da mesma forma, é possível citar os fascistas em Charlottesville, deixando claro que os EUA derrotaram Hitler, mas nunca estiveram livres da mesma ideologia de ódio propagada pelo ditador. Não precisamos ir tão longe: temos polarização agressiva política no Brasil, com candidatos abertamente racistas e extremistas e com um bom número de seguidores.


Como explicar isso?


Evidentemente, a discussão é longa e exige que especialistas (historiadores, sociólogos, antropólogos, analistas políticos, neurologistas e psicólogos, por exemplo) capitaneiem os rumos do debate. Mas podemos afirmar com certa clarividência que o extremismo está na humanidade e é um fenômeno relativamente comum. E os padrões começam a aparecer.

Em qualquer grupo, existem membros insatisfeitos. Extremamente insatisfeitos. Podemos encontrar alguém na rua, idoso, jovem, homem ou mulher, capaz de atirar em um político ou em alguém famoso que é oposto à sua maneira de ver o mundo. Ainda que esse discurso não passe de bravata. Em tempos de crise, valores são diminuídos e, a certa altura, jogados pela janela. E a crise, em si, não precisa ser real ou devastadora; ela só precisa parecer real e devastadora. Em tempos de celulares na mão, as informações fluem tanto que os filtros da racionalidade não parecem segurar mais. É aí que extremistas começam a soar mais interessantes.



A ideia dos atlantes em Alex Corso sempre foi a de um povo decadente, que um dia, reinou na chamada Era da Indexação, quando o Império Atlante anexava dimensões inteiras à sua própria e devastava culturas ricas, assim se tornando uma dimensão forte e bélica. Até mesmo a fisiologia atlante era preparada para a guerra, a sobrevivência em outras dimensões e à ideia de hostilidade imprevisível. Quando os atlantes alcançaram seu ápice, acabaram por declinar. Suas instituições perderam valores, sofreram invasões, sua cultura foi misturada a tantas outras até que, finalmente, tentando manter uma pureza social que não era real, começaram a caçar seu próprio povo - os chamados "miscigenados" tinham que ir para que apenas os atlantes "puros" permanecessem. Grupos "impuros" fugiram de Atlântida e firmaram colônias distantes, eventualmente perdendo admiração pela própria cultura que havia os traído.


Dessa maneira, o Império perdeu o elemento da adaptação. Perdeu os imensos ganhos culturais de outras civilizações. Perdeu a diversidade e a riqueza dentro de seus próprios indivíduos, o que acabou por estagná-los - não buscavam novas soluções, buscavam as antigas. Não procuravam resolver problemas, procuravam se livrar deles de vez. Não tentavam entender, tentavam manter tudo simples para que não houvesse nada a ser entendido.


Ao recorrer ao extremismo, os atlantes estavam desesperados por soluções rápidas que restaurassem toda a sua riqueza - porém, acabaram por cortar a diversidade e a pluralidade que eram as bases dessa riqueza. E, embora esses dois fatores sejam fontes de desentendimentos, preconceitos e conversas complexas nas quais todos se perdem às vezes, era um preço pequeno a se pagar: a riqueza real nasce da complexidade, diversidade de ideias e da recusa do lugar-comum.


Pluralidade é a maior inimiga da mediocridade.


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 © 2016 por Eduardo Prota

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